TRUMP, É HORA DE LIBERTAR A VERDADE SOBRE OS UAPs
Depois de ordenar a abertura dos arquivos governamentais sobre fenômenos anômalos não identificados, cresce a pressão para que o presidente Donald Trump dê o próximo passo: garantir proteção efetiva aos denunciantes que afirmam possuir informações sensíveis sobre UAPs e possíveis programas secretos.
Durante décadas, o tema dos objetos voadores não identificados – hoje oficialmente chamados de Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs) – permaneceu preso entre sigilo governamental, estigma científico, interesses de segurança nacional e uma interminável disputa sobre o que realmente estaria sendo escondido da população.
Em 2026, entretanto, algo mudou.
Em 19 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, anunciou que determinaria ao Secretário da Guerra e a outras agências federais o início de um processo destinado a identificar e liberar arquivos governamentais relacionados a vida extraterrestre, UAPs, UFOs e outras informações associadas ao assunto. A determinação desencadeou uma operação interagências envolvendo, entre outros órgãos, o Departamento da Guerra, o Office of the Director of National Intelligence (ODNI), a AARO, NASA, FBI e Departamento de Energia. (U.S. Department of War)
Nascia assim o Presidential Unsealing and Reporting System for UAP Encounters – PURSUE, uma iniciativa criada para localizar, revisar, desclassificar e tornar públicos registros históricos de UAP em poder do governo federal.
Os resultados começaram rapidamente. A primeira liberação ocorreu em 8 de maio de 2026, seguida por novos lotes em 22 de maio, 12 de junho, 10 de julho e, mais recentemente, 7 de agosto de 2026. O próprio governo afirma que o processo envolve dezenas de agências e a revisão de dezenas de milhões de registros acumulados ao longo de décadas. (war.gov)
É um avanço histórico. Mas talvez os documentos sejam apenas metade da história.
E AS PESSOAS QUE CONHECEM OS PROGRAMAS?
Arquivos podem revelar memorandos, imagens, vídeos, relatórios técnicos e decisões administrativas. Porém, documentos nem sempre contam como uma estrutura funcionava, quem tomou determinadas decisões, quais informações foram compartilhadas internamente ou quais programas podem ter operado sob níveis extraordinários de compartimentalização.
Para isso, são necessárias testemunhas.
Militares, integrantes da comunidade de inteligência, funcionários de órgãos federais, cientistas, pilotos, técnicos e contratados que eventualmente tenham participado ou tomado conhecimento direto de programas relacionados ao fenômeno podem possuir informações impossíveis de reconstruir apenas através de documentos.
É justamente nesse ponto que surge um novo movimento dentro da comunidade interessada na Disclosure: se o governo está realmente disposto a buscar a verdade, deve garantir que quem possui informações possa apresentá-las sem colocar toda a própria vida profissional em risco.
O argumento é simples: transparência documental sem transparência testemunhal pode deixar lacunas importantes.
PROTEÇÕES JÁ EXISTEM – MAS A QUESTÃO É ATÉ ONDE ELAS ALCANÇAM
É importante fazer uma distinção.
Não é correto afirmar que atualmente não exista qualquer mecanismo de proteção para pessoas que desejam relatar informações relacionadas a UAPs.
A legislação norte-americana já criou uma via específica.
A All-domain Anomaly Resolution Office (AARO) aceita atualmente relatos de funcionários e ex-funcionários do governo dos Estados Unidos, militares e contratados que possuam conhecimento direto de programas ou atividades governamentais relacionados a UAPs desde 1945. Segundo a própria AARO, a agência pode receber informações classificadas em todos os níveis, inclusive informações submetidas a controles especiais de acesso ou programas altamente compartimentalizados. (AARO)
A legislação aprovada no National Defense Authorization Act para o ano fiscal de 2023 também determina que uma divulgação autorizada relacionada a UAPs não seja impedida por acordos de confidencialidade e estabelece proteção contra represálias para indivíduos que utilizem esses canais legais. (AARO)
Isso é significativo.
Entretanto, uma divulgação autorizada a uma instituição governamental não é a mesma coisa que uma autorização irrestrita para divulgar informações classificadas publicamente.
É justamente nessa diferença que se encontra parte da discussão atual.
Para defensores de uma nova iniciativa presidencial, seria necessário estabelecer um mecanismo ainda mais claro e robusto – capaz de assegurar que pessoas com conhecimento legítimo possam apresentar evidências às autoridades competentes, ao Congresso ou a estruturas especialmente designadas sem temer perda de carreira, credenciais de segurança ou outras formas de retaliação.
O PRÓXIMO PASSO PODERIA VIR DA CASA BRANCA?
Um dos pedidos que começa a circular nas redes sociais propõe justamente uma Executive Order, ou Ordem Executiva presidencial, dedicada à proteção dos denunciantes relacionados aos UAPs.
A ideia tem força política, mas precisa ser compreendida juridicamente com precisão.
O presidente norte-americano possui ampla autoridade sobre o sistema de classificação de informações de segurança nacional dentro do Poder Executivo. A Executive Order 13526, que estrutura grande parte do atual sistema de classificação e desclassificação, estabelece procedimentos para determinar quando informações podem ou devem deixar de permanecer secretas. (National Archives)
Trump já demonstrou que pretende utilizar essa autoridade ao ordenar a revisão e a liberação de arquivos através do PURSUE. (war.gov)
Uma nova ordem presidencial poderia, portanto, fortalecer procedimentos contra retaliações, acelerar revisões de classificação, determinar cooperação entre agências e estabelecer canais especiais para testemunhos relacionados a UAPs.
Mas uma Executive Order não está acima das leis aprovadas pelo Congresso. Existem categorias de informação submetidas a regimes legais específicos – entre elas determinadas informações nucleares protegidas pelo Atomic Energy Act – que não podem simplesmente ser liberadas da mesma maneira que documentos classificados exclusivamente por autoridade executiva. (National Archives)
Por isso, uma política realmente abrangente provavelmente exigiria coordenação entre Casa Branca, Congresso, Departamento de Justiça, comunidade de inteligência e órgãos responsáveis pela segurança nacional.
Ainda assim, uma decisão presidencial poderia mudar radicalmente o ambiente institucional.
UAP NÃO SIGNIFICA AUTOMATICAMENTE NHI
Existe ainda outra distinção fundamental.
Investigar UAPs não significa concluir antecipadamente que esses fenômenos representam tecnologia extraterrestre ou Non-Human Intelligence – NHI.
Até o momento, a posição pública da AARO é de que o Departamento não encontrou evidências verificadas de tecnologia extraterrestre. A NASA igualmente afirma não possuir evidência confiável de que UAPs tenham origem extraterrestre. (AARO)
Isso, entretanto, não encerra a investigação.
A própria existência de casos oficialmente classificados como não resolvidos demonstra que há ocorrências para as quais os dados disponíveis ainda não permitem uma determinação definitiva. O Departamento da Guerra afirma explicitamente que os materiais divulgados pelo PURSUE incluem casos não resolvidos e convida pesquisadores independentes a examinarem os registros disponibilizados. (war.gov)
A diferença entre ciência e crença está exatamente aqui: não declarar como comprovado aquilo que ainda não foi demonstrado – mas também não abandonar uma investigação simplesmente porque a resposta ainda não é conhecida.
O DIREITO DE SABER – E O DEVER DE PROTEGER
Se existem pessoas com conhecimento direto de programas, operações ou materiais relacionados aos UAPs, essas informações devem ser examinadas.
Não porque cada alegação necessariamente será verdadeira.
Não porque toda testemunha necessariamente possuirá a resposta.
E certamente não porque UAP seja automaticamente sinônimo de inteligência não humana.
Mas porque uma sociedade democrática precisa possuir mecanismos capazes de investigar alegações extraordinárias com independência, segurança e rigor.
O verdadeiro objetivo de uma política de proteção aos denunciantes não deveria ser garantir que uma narrativa específica prevaleça.
Deveria ser garantir que nenhuma narrativa seja silenciada pelo medo antes que suas evidências possam ser examinadas.
Testemunhas que apresentam informações verdadeiras precisam estar protegidas.
Testemunhas que apresentam informações equivocadas precisam ter suas alegações analisadas objetivamente.
Documentos precisam ser autenticados.
Dados de sensores precisam ser preservados.
Programas precisam ser auditáveis.
Afirmações extraordinárias precisam enfrentar investigação extraordinariamente rigorosa.
É assim que se chega à verdade.
PRESIDENTE TRUMP, O ARQUIVO FOI ABERTO. AGORA É PRECISO OUVIR AS TESTEMUNHAS.
Donald Trump já tomou uma decisão que presidentes anteriores evitaram: determinou um processo governamental amplo de identificação e divulgação de documentos relacionados aos UAPs.
O PURSUE colocou milhares de páginas, imagens, vídeos e registros diante da sociedade e promete continuar liberando novos materiais à medida que forem encontrados, revisados e desclassificados. (U.S. Department of War)
Agora surge uma pergunta inevitável:
E aqueles que afirmam conhecer a história por dentro?
Se militares, agentes de inteligência, cientistas, funcionários públicos ou contratados possuem informações legítimas ainda desconhecidas do Congresso e da população, eles precisam de uma via segura para apresentá-las.
Sem intimidação.
Sem retaliação.
Sem o medo de perder uma carreira construída durante décadas simplesmente por utilizar um mecanismo legal para informar o governo sobre aquilo que testemunharam.
Uma nova Ordem Executiva, acompanhada quando necessário por legislação do Congresso, poderia estabelecer protocolos ainda mais claros para proteção, depoimentos, revisão de classificação e investigação independente.
A questão UAP chegou a um estágio em que simplesmente perguntar se “eles existem” já não é suficiente.
Agora é preciso perguntar:
Quais dados existem? Quem os possui? Quem teve acesso a eles? O que pode ser demonstrado? E por que determinadas informações permaneceram classificadas durante tanto tempo?
A abertura dos arquivos foi um passo.
Proteger aqueles que podem ajudar a explicar o que existe dentro deles pode ser o próximo.
Se o objetivo declarado é transparência, então não basta libertar os documentos.
É preciso libertar os fatos.
E permitir que a verdade – seja ela qual for – sobreviva ao teste das evidências.
Fonte: Fernanda Pires

