O Congresso deve proteger jornalistas e denunciantes no debate sobre OVNIs
Opinião por Matt Ford – 9 de setembro de 2025
Hoje, a Força-Tarefa para a Desclassificação de Segredos Federais, presidida pela deputada Anna Paulina Luna, realizará uma audiência sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAP) e sobre as proteções aos denunciantes.
Em 28 de novembro de 2023, sentei-me para um almoço tardio no bar da cobertura do Waldorf Astoria, na Las Vegas Strip.
Eu havia acabado de chegar de Los Angeles em um dia frio de inverno. O ambiente estava silencioso — quase silencioso demais — o tipo de silêncio que se impõe sobre todos os sons.
Enquanto tomava um gole de água com gás — não bebo álcool — estava prestes a descobrir, em primeira mão, que não apenas denunciantes do governo são alvos de retaliação, mas também jornalistas americanos.
Uma sensação de desconforto pairava sobre mim. Poucas horas antes, o Daily Mail havia publicado a maior reportagem da minha carreira — uma matéria bombástica sobre um escritório pouco conhecido, localizado nas profundezas da CIA.
Naquela manhã, durante uma ligação com meus coautores Josh Boswell, do Daily Mail, e Chris Sharp, do Liberation Times, um confidente de confiança, com profundos vínculos na comunidade de inteligência, nos alertara de que o artigo desencadearia uma “tempestade de fogo”.
Segundo ele, a CIA estaria desesperada para descobrir como havíamos obtido as informações e quem eram nossas fontes.
Esse aviso ecoava em minha mente quando abri meu laptop no bar do Waldorf para acompanhar as repercussões da publicação.
Sharp havia iniciado a investigação, e eu contribuí com os contatos que cultivara ao longo dos anos. Boswell levou a reportagem à publicação e acrescentou detalhes com base na corroboração de suas próprias fontes. Para mim, era a primeira grande participação em uma investigação de porte.
O Escritório da CIA
Descobrimos que o Escritório de Acesso Global (OGA) da CIA — uma unidade pouco conhecida dentro da Diretoria de Ciência e Tecnologia — teria desempenhado papel essencial nos esforços para rastrear e recuperar naves acidentadas de origem não humana.
Criado em 2003, o OGA tinha como missão recuperar armas nucleares perdidas, satélites caídos e tecnologia adversária em todo o mundo.
Mas várias fontes afirmaram que o órgão também participava das recuperações de UAPs.
Em algumas operações, unidades de elite do Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC), como a Delta Force, teriam atuado. Em cerca de metade dos casos, porém, as missões eram repassadas a empreiteiras aeroespaciais privadas — retirando programas sensíveis da esfera militar e deixando-os fora do alcance do Congresso.
Até mesmo o falecido senador Harry Reid, então líder da maioria, admitiu ter tido acesso negado a esses programas. Se nem o líder do Senado obtinha respostas, quem conseguiria?
O Encontro Estranho
Cerca de trinta minutos depois de eu entrar no bar, uma mulher de trinta e poucos anos sentou-se a algumas cadeiras de distância e puxou conversa. Respondi brevemente, mas logo voltei ao meu laptop.
Vinte minutos depois, um homem de quase cinquenta anos, de camisa havaiana, entrou e se sentou bem à minha frente. Pouco depois, a mesma mulher aproximou-se dele e começaram a conversar. Foi então que ouvi uma palavra que me paralisou: “OVNI.”
Fechei o laptop, inclinei-me e disse:
“Com licença, não pude deixar de ouvir você falar sobre OVNIs. Já leu o artigo que saiu no Daily Mail esta manhã?”
Ele me encarou e respondeu bruscamente:
“Não, mas o artigo dizendo que Lue Elizondo é um mentiroso certamente ficou na minha cabeça.”
Elizondo é o ex-funcionário do Pentágono que ajudou a expor o programa secreto de OVNIs do governo na histórica reportagem do New York Times, em 2017.
Aquele comentário me deixou perplexo. Nossa matéria não mencionava Elizondo. Ouvir seu nome ali, num bar quase vazio, soou ensaiado — como uma frase plantada para me desestabilizar.
Meu estômago embrulhou. Suspeitei estar diante de um agente de inteligência, lembrando o aviso sobre vigilância que havia recebido mais cedo.
Enviei uma mensagem ao denunciante David Grusch, com quem já tinha contato. Sua resposta foi direta: “não se envolva.”
Mas, após quinze minutos de inquietação, ignorei o conselho. Perguntei novamente ao homem se havia lido o artigo. Ele se levantou, ergueu o celular de forma ostensiva, me fotografou e repetiu, palavra por palavra, a mesma frase sobre Elizondo — como um ator recitando um roteiro.
Em seguida, saiu do bar.
Naquele instante, percebi: não se tratava da história, mas de mim. Apenas minha família e os quatro participantes da ligação daquela manhã sabiam que eu viajara para Las Vegas. Nenhum deles, porém, sabia em que hotel eu estava hospedado.
Foi a primeira vez que suspeitei estar sob vigilância técnica como jornalista americano. E a primeira vez que temi pela minha segurança.
Por Que o Congresso Deve Agir
É por isso que a audiência de hoje é fundamental. O assédio a jornalistas e denunciantes não é apenas intimidação: é uma ameaça direta à democracia.
Não pode haver supervisão quando aqueles que trazem informações são punidos por fazê-lo.
O Congresso deve não apenas investigar a verdade sobre os programas UAP, mas também enfrentar a forma como eles são deliberadamente estruturados para escapar da supervisão.
Delegar recuperações a contratantes privados não apenas mantém segredos, mas também enfraquece o papel constitucional do Congresso.
Se os legisladores realmente se importam com transparência, deveriam intimar Douglas Wolfe, ex-chefe do OGA, e Glenn Gaffney, ex-diretor de Ciência e Tecnologia da CIA — ambos apontados por múltiplas fontes como envolvidos nos programas de recuperação de UAPs acidentados.
E devem também encarar algo ainda mais sombrio: o espectro da vigilância contra jornalistas americanos.
Quando agentes confrontam repórteres com frases ensaiadas, isso não é coincidência. É intimidação.
Fui alvo de um mandado da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA) ou de monitoramento ilegal? Não sei. Mas sei de uma coisa: não é assim que uma democracia sobrevive.