Vida em Marte? Novas evidências reforçam o argumento
Compostos químicos incomuns encontrados em rochas de Marte podem ser um sinal de que existiu vida no planeta vermelho, embora pesquisadores tenham alertado que as evidências estão longe de ser conclusivas.
A NASA anunciou na quarta-feira novas evidências baseadas em minerais descobertos anteriormente, sugerindo que a vida, na forma de micróbios, pode ter estado presente em Marte em algum momento.
A evidência vem de algumas marcas incomuns encontradas em rochas perto da cratera de Jezero, que antes era um lago, tornando-a um lugar provável para cientistas encontrarem evidências de qualquer vida que possa ter existido em nosso vizinho celestial.

O rover Perseverance (na foto) explora a superfície de Marte desde 2021
No ano passado, o rover Perseverance encontrou uma rocha com características incomuns em uma área conhecida como Bright Angel. As rochas continham o que os cientistas apelidaram de sementes de papoula, pequenas manchas escuras contendo vivianita, e manchas de leopardo, anéis escuros de vivianita ao redor de áreas brancas contendo greigita.
As sementes de papoula e as manchas de leopardo são significativas porque, na Terra, tanto a vivianita quanto a greigita são consideradas sinais reveladores de atividade microbiana antiga.
No entanto, a atividade microbiana não é a única maneira pela qual esses minerais são formados. Eles também podem ser criados por meio de reações que exigem temperaturas acima de 250 graus.
Com base na análise atual, não parece que a rocha de Bright Angel foi aquecida a temperaturas altas o suficiente para que essa reação química ocorresse, mas os cientistas ainda precisam de mais evidências para poder determinar se já existiu vida em Marte.

Os cientistas suspeitaram que Marte (na foto) já foi o lar de algum tipo de vida microbiana
Na quarta-feira, a NASA anunciou descobertas em dois locais, um chamado Templo Maçônico e outro chamado Sapphire Canyon, localizados na formação Bright Angel.
Essas rochas contêm pequenas manchas esverdeadas de minerais de fosfato de ferro e sulfeto de ferro quimicamente reduzidos. Assim como as sementes de papoula e as manchas de leopardo, as manchas verdes podem estar ligadas à atividade biológica.
A distribuição de manchas verdes é irregular e concentrada perto de compostos orgânicos, o que é outra marca a favor da possível vida.
Mas ainda não é suficiente para provar conclusivamente que havia vida em Marte.
Para tirar conclusões mais concretas, os cientistas precisam trazer amostras coletadas pelo Perseverance de volta à Terra para exames práticos.
Infelizmente, isso pode não acontecer, já que o orçamento federal proposto pelo presidente Donald Trump cortou o financiamento para o Programa de Retorno de Amostras de Marte.
Se o Congresso cortar o financiamento para esse programa, as amostras do Perseverance ficarão retidas em Marte, e os pesquisadores ficarão tentando desvendar o mistério da vida marciana ou a falta dela de longe.